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Benedita Casé protagoniza “90 Decibéis”, filme sobre surdez que chegou à TV aberta

Surda desde bebê, a filha de Regina Casé vive uma advogada que descobre uma perda auditiva progressiva. O roteiro é de Julia Spadaccini, que também tem deficiência auditiva.

Por Equipe LIBRAS.SEPublicado em 3 min de leitura
Ilustração de uma mulher de blazer, com aparelho auditivo atrás da orelha, trabalhando numa mesa de escritório enquanto um menino desenha ao lado e ondas sonoras se apagam ao redor
Ana, a personagem do filme, é advogada, mãe e descobre uma perda auditiva progressiva. A ilustração é uma cena genérica. | Ilustração criada com IA

A atriz Benedita Casé Zerbini, filha de Regina Casé e do artista plástico Luiz Zerbini, é a protagonista de “90 Decibéis”, drama dirigido por Fellipe Barbosa e produzido pelos Estúdios Globo. O longa passou pelo Festival do Rio em 2025 e foi anunciado para a Tela Quente de 28 de setembro de 2026, depois da novela “Quem Ama Cuida”. Dias depois, o Correio registrou que o filme foi “transmitido no horário nobre da TV Globo”.

Benedita vive Ana, uma advogada bem-sucedida e mãe de Theo, de 7 anos. Depois de um acidente de trânsito com o filho, ela faz uma audiometria e descobre uma condição degenerativa: a perda auditiva vai avançar até a surdez profunda. Ana reage com negação, inclusive aos aparelhos auditivos, perde o emprego no escritório e recomeça num posto de atendimento acessível, onde convive com outras pessoas com deficiência.

Representatividade na frente e atrás da câmera

O roteiro é de Julia Spadaccini, que também tem deficiência auditiva. Segundo a Veja Saúde, ela começou a perder a audição aos 19 anos e hoje usa aparelhos nos dois ouvidos. A TV Globo informa que cerca de 70% do elenco é formado por pessoas com deficiência e mães atípicas. A Veja Saúde fala em 85%.

Fellipe Barbosa contou à Veja Saúde que houve receio de que Benedita, que convive com a surdez desde pequena, não correspondesse a uma personagem que descobre a perda auditiva aos poucos. “Após o teste, porém, não houve mais dúvidas: tinha que ser ela”, disse o diretor. Regina Casé contou ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, do jornal O Globo, que a filha foi chamada para o teste numa terça e, na sexta, já filmava como protagonista. Para Benedita, o papel tem peso especial: “Representar o papel de uma mulher surda sendo uma mulher surda na vida real é maravilhoso. É um marco, um espaço que ainda não foi ocupado”, afirmou à Marie Claire, em fala reproduzida pela CNN Brasil.

Making of de “90 Decibéis”. Vídeo: canal oficial da TV Globo no YouTube.

Uma surdez que chegou cedo

Benedita nasceu ouvinte. Ainda bebê, teve uma pneumonia grave e tomou antibióticos ototóxicos, que podem lesar a audição. O diagnóstico veio por volta dos 3 anos, e os aparelhos auditivos, aos 4. Em entrevista ao jornal O Globo, reproduzida pela Tribuna do Sertão, ela contou que hoje tem de 75% a 80% de perda auditiva nos dois ouvidos, que faz leitura labial e que tornou pública a sua condição de surda em 2019.

Antes de atuar, Benedita trabalhava atrás das câmeras. “Por causa da surdez, qualquer profissão que envolvesse comunicação direta, em que eu preciso ficar o tempo todo falando, como a de atriz, era impensável pra mim”, disse ela. No mesmo videocast, segundo o Estado de Minas, Regina resumiu a demora: “Ela não tinha pensado em ser atriz por capacitismo meu e dela”. Em 2026, Benedita também estreou no teatro com o monólogo “Surda”, escrito por Julia Spadaccini e dirigido por Débora Lamm, em cartaz no Teatro Poeirinha, no Rio, de 9 de maio a 28 de junho.

Nem toda pessoa surda usa Libras

A trajetória de Benedita ajuda a lembrar que a comunidade surda é diversa. Há pessoas surdas que têm a Libras como primeira língua. Outras são oralizadas, usam aparelho auditivo ou implante coclear, fazem leitura labial e se comunicam principalmente em português. E muitas transitam entre as duas línguas. A idade da perda auditiva, a família, a escola e o acesso à Libras pesam nessas escolhas, e nenhum caminho é mais legítimo que o outro.

O Observatório da TV, com informações da Globo, descreve Benedita como atriz surda oralizada. O caso também derruba um mito: ser surdo não significa não falar, um dos motivos pelos quais o termo surdo-mudo é errado. Nos cinemas, outro lançamento com protagonista surda, “Nem Toda História de Amor Acaba em Morte”, levou a Libras para dentro da cena.

Créditos e referências

Texto: Equipe LIBRAS.SE, com informações de Veja Saúde, Tribuna do Sertão (Agência O Globo), Estado de Minas (Folhapress), Folha de Pernambuco, Observatório da TV, CNN Brasil, Correio e TV Globo.

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